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Biocircularidade e fertilizantes orgânicos pautam o segundo painel do 2º BioComForest

Especialistas da Abisolo, JMF Compostagem, Inova Compostagem e Biossolo debateram compostagem, nutrição de solos e o futuro da reciclagem de resíduos orgânicos na Unesp de Botucatu

O segundo painel do segundo dia do 2º BioComForest, realizado no dia 29 de julho na Unesp de Botucatu, reuniu especialistas para um debate sobre biocircularidade, compostagem e o papel dos fertilizantes orgânicos na silvicultura. Em entrevistas exclusivas, os participantes mostraram como o tratamento de resíduos deixou de ser apenas uma obrigação ambiental para se tornar uma oportunidade de agregar valor — com nutrientes que retornam ao solo de forma mais rica e complementar.

Fernanda Latanze (coordenadora técnica da Abisolo): biocircularidade e manejo caso a caso

Fernanda Latanze avaliou o painel como “muito rico” e destacou a questão da biocircularidade, essencial para o segmento. Segundo ela, o tratamento de resíduos não precisa ficar restrito ao campo: é possível agregar valor e devolver ao solo um material complementado com nutrientes. No caso da compostagem, citou a possibilidade de complementação com boro e manganês, e defendeu o estudo de cada área de forma individualizada. “É importante olhar cada talhão para tratá-lo caso a caso, e não como um produto único”, afirmou, mencionando a variabilidade genética e a variabilidade diária como fatores que exigem esse cuidado.

Katia Beltrame (diretora da JMF Compostagem): orgânico complementa, não substitui

Katia Beltrame explicou o que define um fertilizante orgânico: além de entregar nutrientes às plantas, ele aporta CTC, capacidade de retenção de água, diversidade microbiana e uma série de outros benefícios que vão além da nutrição tradicional. Ela foi categórica ao afirmar que o fertilizante orgânico nunca substitui o mineral — mas o complementa. E fez uma distinção importante: todo fertilizante orgânico condiciona o solo a um estado melhor, mas nem todo condicionador de solos é um fertilizante orgânico, porque nem todos conseguem entregar nutrientes.

Moacir Beltrame (diretor da JMF Compostagem): a luta pela regulamentação

Moacir Beltrame contou a trajetória da empresa desde o fim dos anos 1990, quando não existia legislação que permitisse a compostagem de resíduos industriais. “Naquela época, a compostagem só era legal dentro de fazendas, com palhadas e resíduos de animais”, lembrou. Sem enquadramento no Ministério da Agricultura, a empresa não conseguia registro do produto — que nem sequer se chamava fertilizante orgânico, termo que só veio com o Decreto 4.954, de 2004. O órgão ambiental também não concedia licença. Foi apenas em 2001-2002 que a companhia obteve o registro como condicionador de solos, e só em 2004, com o novo enquadramento legal, conseguiu regularizar definitivamente a operação.

Jonas Chiaradia (diretor da Biossolo): evolução e futuro promissor

Jonas Chiaradia avaliou que o setor evolui bastante, especialmente na massa crítica de conhecimento — hoje há muito mais técnicos do que há 20 ou 30 anos. Mesmo reconhecendo que a velocidade poderia ser maior, ele destacou os méritos da evolução das últimas duas décadas e meia. “A cada encontro, a cada dois anos, vamos ter mais e mais notícias boas para contar”, projetou. Para ele, o futuro é promissor: as pessoas estão cada vez mais conscientes, cresce a pressão por um ambiente mais limpo e produtos mais seguros, e a compostagem — a reciclagem de resíduos orgânicos — tem ocupado um papel cada vez mais relevante nesse cenário.

O 2º BioComForest foi uma realização da Paulo Cardoso Comunicações. Para assistir ao vídeo completo das entrevistas, clique no link do YouTube: https://youtu.be/a_3MnFMPHxs

Redação Mais Floresta